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sábado, 3 de janeiro de 2015

O mistério da poesia 

                                      (Rubem Braga)


“Não sei o nome desse poeta, acho que boliviano; apenas lhe conheço um poema, ensinado por um amigo. E só guardei os primeiros versos: ‘Trabajar era bueno en el sur… Cortar los árboles, hacer canoas de los troncos’.
E tendo guardado esses dois versos tão simples, aqui me debruço ainda uma vez sobre o mistério da poesia.
O poema era grande, mas foram essas palavras que me emocionaram. Lembro-me delas às vezes, numa viagem; quando estou aborrecido, tenho notado que as murmuro para mim mesmo, de vez em quando, nesses momentos de tédio urbano. E elas produzem em mim uma espécie de consolo e de saudade não sei de quê.
Lembrei-me agora mesmo, no instante em que abria a máquina para trabalhar nessa coisa vã e cansativa que é fazer crônica.
De onde vem o efeito poético? É fácil dizer que vem do sentido dos versos; mas não é apenas do sentido. Se ele dissesse: ‘Era bueno trabajar en el sur’ não creio que o poema pudesse me impressionar. Se no lugar de usar o infinito do verbo ‘cortar’ e do verbo ‘hacer’ usasse o passado, creio que isso enfraqueceria tudo. Penso no ritmo; ele sozinho não dá para explicar nada. Além disso, as palavras usadas são, rigorosamente, das mais banais da língua. Reparem que tudo está dito como os elementos mais simples: ‘trabajar, era bueno, sur, cortar, árboles, hacer canoas, troncos’.
Isso me lembra um dos maiores versos de Camões, todo ele também com as palavras mais corriqueiras de nossa língua:
‘A grande dor das coisas que passaram’.
Talvez o que impressione seja mesmo isso: essa faculdade de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia. Nesse poema sul-americano a idéia da canoa é também um motivo de emoção.
Não há coisa mais simples e primitiva que uma canoa feita de um tronco de árvore; e acontece que muitas vezes a canoa é de uma grande beleza plástica. E de repente me ocorre que talvez esses versos me emocionem particularmente por causa de uma infância de beira-rio e de beira-mar. Mas não pode ser: o principal sentido dos versos é o do trabalho; um trabalho que era bom, não essa ‘necessidade aborrecida’ de hoje. Desejo de fazer alguma coisa simples, honrada e bela, e imaginar que já se fez.
Fala-se muito em mistério poético; e não faltam poetas modernos que procurem esse mistério enunciando coisas obscuras, o que dá margem a muito equívoco e muita bobagem. Se na verdade existe muita poesia e muita carga de emoção em certos versos sem um sentido claro, isso não quer dizer que, turvando um pouco as águas, elas fiquem mais profundas…”.
Rubem Braga
Fevereiro, 1949

domingo, 6 de janeiro de 2013

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

 
 
 
Morada
           Forfun

Faço de mim
Casa de sentimentos bons...
Onde a má fé não faz morada
E a maldade não se cria

Me cerco de boas intenções
E amigos de nobres corações
Que sopram e abrem portões
Com chave que não se copia

Observo a mim mesmo em silêncio
Porque é nele onde mais e melhor se diz
Me ensino a ser mais tolerante, não julgar ninguém
E com isso ser mais feliz

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

Faço de mim
Parte do segredo do universo
Junto à todas as outras coisas as quais
Admiro e converso

Preencho meu peito com luz
Alimento o corpo e a alma
Percebo que no não-possuir
Se encontram a paz e a calma

E sigo por aí viajante
Habitante de um lar sem muros
O passado eu deixei nesse instante
E com ele meus planos futuros
Pra seguir

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo


Composição: Danilo Cutrim, Vitor Isensee,
                      Rodrigo Costa, Nicolas Fassano


sábado, 22 de janeiro de 2011

Mudança

... E a obra recebe seus moradores, ... torna-se um lar

                 ANO NOVO - 01/JANEIRO/2011

COZINHA

COZINHA DA JORNALISTA
       
     
...Na culinária poética de Gilberto Freire

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cuidando da Casa

         Podemos notar que, quando atuamos conscientemente num ambiente de nossa casa, algo já foi resolvido antes em alguma parte na esfera mental.  MAS SAIBAMOS QUE SEMPRE EXISTIRÁ UM CANTINHO LARGADO , UM CÔMODO FECHADO, UMA GAVETA EM QUE VAMOS JOGANDO COISAS. E PRECISAMOS OLHAR PARA LÁ NÃO COM IRRITAÇÃO COM REPULSA OU MESMO COM INDIFERENÇA, AS VEZES NEM MESMO ENXERGAMOS. MAS, AO ENXERGAR OLHEMOS PARA LÁ COM AMOR, PORQUE É ALI O NOSSO ESPAÇO MAIS PRECISADO E TAMBÉM O MAIS PRECIOSO. OLHEMOS PARA ELE COM CARINHO E ORAÇÃO, PORQUE ALI, TAMBÉM, DEUS ESTÁ.


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Criatividade

O texto a seguir nos guia para o reconhecimento da nossa Casa
O ESPAÇO DA CRIAÇÃO
Pierre weil
Dentro de cada um de nós há um espaço que tem todas as qualidades de milagroso. Pois do aparente nada, surge tudo que você pode imaginar. Aliais este espaço é o próprio nascedouro da imaginação.Dele tudo provêm. Para ele tudo retorna. É na quietude do silêncio e da meditação que você pode descobrir o aspecto maravilhoso desta verdadeira fonte da criatividade.Você pode observar em primeiro lugar o desfile das idéias que vem e vão, dançando o infinito bailado da nossa vida mental.Uma vem a outra vai, sem que saibamos da sua fonte. E, no entanto a fonte está ali, bem pertinho, mais pertinho do que a ponta do nosso nariz. Pois se deixarmos relaxar o ritmo frenético da nossa agitação mental, neste recolhimento da nossa alma encontraremos progressivamente um intervalo entre dois pensamentos. E se tivermos a paciência de esperar mais, vamos assistir á um alargamento progressivo até descobrirmos que estamos diante do espaço de onde vem e para onde voltam os pensamentos. E isto por si só já é maravilhoso. Cada vez que me deparo com este processo, fico extasiado. Pois naquele momento me torno observador do funcionamento do meu próprio espírito.Fico surpreso pelo fato de que existe esta vacuidade que gera idéias, imagens, pensamentos que em frações de segundos se tornam sentimentos, emoções e vontade de agir.E cada pensamento pode engendrar uma serie de ações que por sua vez provocam reações sobre tudo de pessoas. E tudo isto surgiu deste espaço que parece vazio.A maioria das pessoas não sabe deste processo. Completamente inconsciente; elas se deixam levar por ele para situações por vezes felizes e prazeirosas, por vezes infelizes e doloridas. A maioria da humanidade não tem conhecimento deste processo e se deixa levar por este desfile de pensamentos, sentimentos, e ações, oscilando constantemente entre alegria e tristeza, entre esperança e decepção. As pessoas na sua grande maioria, são verdadeiros autômatos, escravos dos seus pensamentos e emoções. E como escravas, elas não tem liberdade nenhuma, nem a de pensar. Quando achamos que temos liberdade de pensamento porque a constituição jurídica do nosso país assim no la outorgou, caímos numa lamentável ilusão.É verdade que podemos adquirir esta liberdade. É isto que vou mostrar agora. É justamente quando continuamos o processo de observar o desfile do pensamento sem interferir, nem suprimindo o, nem se deixando levar por ele, que podemos, adquiri esta liberdade. Temos a liberdade de deixar passar idéias e emoções.Muito mais, podemos, em estado de relaxamento profundo encomendar idéias novas, planejamentos de ações de diversa natureza. Vamos descobrir uma nova maravilha. Podemos convidar este espaço a ser um verdadeiro criador. É este o maior milagre da nossa vida; temos o criador dentro de nos. E com isto podemos iniciar uma grande transformação.Alem do mais este espação da verdadeira liberdade é também o espaço onde encontramos a paz verdadeira e de onde surge a sabedoria e o amor.
Pierre Weil
fonte: www.pierreweil.pro.br - NOVAS IDÉIAS PARA NOVOS TEMPOS

sábado, 21 de abril de 2007

*A CASA

A CASA NA QUAL SE HABITA Estudos na área da psicologia humana dizem que no ato de se arrumar o próprio armário ou as gavetas, a casa em geral, arruma-se e organiza-se a própria psique, ou melhor a gente pode arrumar a própria cabeça, as idéias, tomar o destino nas mãos, atuar na própria vida, deixar de relega-la a outrem. Quando nos sentimos desligados de Deus, é no outro que O procuramos e as vezes por esse caminho conseguimos nos religar. Mas e quando relegamos, abandonamos, ou acabamos por delegar isso a outro? E é assim em relação ao espaço que habitamos. Ele é a indicação de como estamos, para nós mesmos. Não é porque a casa está seguindo as ultimas tendências da moda, ou porque ela segue um estilo rigorosamente inglês ou clássico ou porque está muito lustrada, com todos os armários etiquetados, todos os rótulos virados para frente, sem nenhumazinha teia de aranha que isso vai indicar equilíbrio e harmonia de vida. O que podemos notar é que quando atuamos conscientemente num ambiente de nossa casa enxergamos que algo já foi resolvido antes em alguma parte na esfera mental. Poderemos querer as teias de aranha por elas segurarem em suas redes os insetos,ou ainda ao termos a atitude consciente e satisfeita de espalharmos cal ao redor da casa podemos estar certos que já pusemos em contato com Deus alguma parte do nosso ser e isso é apenas a manifestação desse contato. MAS SAIBAMOS QUE SEMPRE EXISTIRÁ UM CANTINHO LARGADO , UM CÔMODO FECHADO, UMA GAVETA EM QUE VAMOS JOGANDO COISAS. E PRECISAMOS OLHAR PARA LÁ NÃO COM IRRITAÇÃO COM REPULSA OU MESMO COM INDIFERENÇA, AS VEZES NEM MESMO ENXERGAMOS. MAS, AO ENXERGAR OLHEMOS PARA LÁ COM AMOR, PORQUE É ALI O NOSSO ESPAÇO MAIS PRECISADO E TAMBÉM O MAIS PRECIOSO. OLHEMOS PARA ELE COM CARINHO E ORAÇÃO, PORQUE ALI TAMBÉM DEUS ESTÁ

*MINHA CASA

FOGO
AR

ÉTER

ÁGUA

TERRA

Os cinco elementos, Fogo ,Terra, Ar ,Água, Éter, ressoa para cada um de maneira única. Do mesmo modo a evolução e a realização de cada um entre nós não sofrem de nenhum modelo, tanto são cada vez específicas e inimitáveis. Basicamente poderíamos dizer que o ser humano, para poder ser ele mesmo, é conduzido, ao longo de toda a sua vida, de inventar e forjar os seus próprios instrumentos, cumprimento da matéria que constitui-o.

Sabemos que uma viagem é bem frequentemente uma etapa decisiva sobre o caminho, nomeadamente quando conduz-nos do conhecido ao desconhecido, quando podemos realmente abrir-se no estrangeiro, em vez continuar a ser cloîtrés nos nossos referenciais adquiridos.

FONTE: http://perso.orange.fr/la-croisee-des-chemins/program.htm